Coluna Rosildo Barcellos | Quando faltam palavras
As vezes me encontro olhando para o céu quando a indefectível saudade vem, sem avisar e invade derrubando o que encontra pela frente.
Chego a pensar que o céu é justamente o que nos conecta a uma imensa arena onde as emoções são livres para voar. Sem horário, sem medida, sem causa aparente.
Percebo que desde que partiu o céu se tornou uma companhia muito sólida e inquestionavel.
Talvez o céu seja meu melhor amigo. É para o céu que olho quando algo pareçe desmoronar e de alguma forma penso que também em algum momento... o seu olhar vem na minha direção.
Viver num mundo aonde sua presença é constante na memoria não é fácil. É como se eu caminhasse e em uma rua na penunbra e que eu pudesse olhar apenas as paisagens sem nitidez. Certamente tudo continua acontecendo ao nosso redor mas a sensação de algo primordial é intrínseco, faltando se torna efetivamente bastante real.
É uma saudade que transborda. Um espaço que não consegue ser preenchido. Apenas a ausência e as lembranças aparecem como um véu no luar.
Ontem eu sonhei que nos encontrávamos. Foi um momento de explosão de luz e paz. Um abraço que faltava um olhar que não precisava de palavras. A presença intensa que fez estes anovs todos serem minutos. Passou um filme na minha cabeça.
Voltei a realidade timidamente. Acordei com enfase; e com uma nova certeza. A de que existem vínculos eternos. É assim são os laços que unem pai e filho.
A Saudade existe: eu sei. É não importa quanto tempo passe, a ausência de quem amamos será sempre sentida com a mesma intensidade.
Seus ensinamentos eu uso com muita frequência . Continuam presentes. Hoje tenho vontade de abraçar a todos que tenham saudade. Mas muitos não entenderão. Afinal nem todos tiveram um pai como eu tive. Como explicar o poder de um abraço ?
Quando o amor e maior que um sobrenome, transcende a separação.
Enfim. O céu que olho está noite, talvez seja o mesmo que outra pessoa possa estar olhando neste momento. Rogo aos ceus que está outra pessoa sinta-se abraçada com estas singelas palavras. Que estás linhas mal traçadas cheguem aos filhos que tenham saudades de seus pais. Enquanto eu viver o que aorendi será nao apenas lembrado como também praticado.
Hoje estou sendo visto ouvido e lido por todo o Espírito Santo.. São 25 anos de lembranca mas também são 25 anos de esperanca. 25 anos de braços abertos para o meu semelhante.
Obrigado meu inesquecível João Carlos Leal. Estimado e honrado Pai.
