Encontro de cooperativas mirins reúne mais de 200 estudantes em Aracruz
Aprender a trabalhar junto pode começar cedo. E, nas cooperativas mirins, crianças e adolescentes têm a oportunidade de participar de decisões, assumir responsabilidades e descobrir, na prática, como funciona uma organização criada por eles.
Foi o que aconteceu durante o 5º Encontro Estadual de Cooperativas Mirins, realizado na sexta-feira (2), no Sesc Praia Formosa, em Aracruz. Mais de 200 estudantes participaram da programação, que reuniu integrantes de dez cooperativas mirins do Espírito Santo, além de professores e profissionais que acompanham os projetos.
O encontro foi promovido pelo Sistema OCB/ES, em parceria com o Sicoob Espírito Santo e o Instituto Sicoob. Durante o dia, os estudantes participaram das atividades, trocaram experiências e conheceram outras cooperativas mirins.
Estudantes participam da gestão das cooperativas
Nas cooperativas mirins, os alunos não ficam apenas como espectadores. Eles ajudam a criar e organizar as próprias cooperativas, escolhem representantes, assumem funções e participam das decisões.
Sandra Helena Rosa Kwak, diretora de Pessoas e Sustentabilidade, explica que os estudantes acompanham diferentes etapas da gestão.
“Eles montam a sua própria cooperativa, constituem os agentes da sua estrutura de governança, fazem eleição e têm um negócio para gerir de forma coletiva, cujos resultados ao final também voltam para os associados dessa cooperativa.”
O Programa Cooperativa Mirim existe desde 2012. Ao longo desse período, mais de 13 mil crianças já participaram da iniciativa. Atualmente, são 170 cooperativas em 12 estados e no Distrito Federal.
Para Luiz Edson Feltrim, superintendente do Instituto Sicoob, o Espírito Santo se destaca nesse trabalho.
“O Espírito Santo é um dos três estados do Brasil que tem o maior número de cooperativas mirim, proporcionalmente ao número de cooperativas. Ele tem sido um exemplo.”
E não é só na organização da cooperativa que os estudantes aprendem. Eles também têm contato com situações que exigem liderança, responsabilidade e participação.
“A cooperativa ensina as crianças a presidir uma organização, ensina as crianças a fazer a organização nascer do zero, ensina as crianças a fazer um estatuto social, ensina as crianças a presidir uma assembleia, presidir uma reunião de diretoria”, explica Feltrim.
Cooperativismo dentro da escola
O trabalho começa dentro da escola e leva para a rotina dos alunos experiências que envolvem participação e trabalho em equipe.
Marcos Vinícius Martins dos Passos, coordenador de Desenvolvimento Humano e Social da OCB/ES, explica que esse contato começa cedo.
“Esse programa Cooperativa Mirim leva a educação cooperativista e a cultura da cooperação para dentro da sala de aula. Então, desde cedo, os alunos aprendem a constituir uma cooperativa, viver os princípios e os valores do cooperativismo.”
A experiência também pode ajudar na formação de novas lideranças.
Para Bento Venturin, presidente do Conselho de Administração do Sicoob ES, a expectativa é que esse aprendizado acompanhe os estudantes também fora da escola.
“A gente espera, torce e investe para que eles sejam melhores cidadãos, que eles sejam melhores administradores, que eles sejam melhores líderes […] e que eles possam fazer mais e melhorar mais as nossas comunidades.”
Aprendizado que vai além da sala de aula
Para quem participa, os efeitos aparecem também no dia a dia. Elizabeth Quadros do Amaral Vieira, da CoopSul, conta que a experiência ajudou no desenvolvimento pessoal.
“Algo que eu percebo que mudou na minha vida é que isso me ajudou a desenvolver a minha fala, o meu trabalho em equipe e, principalmente, o senso de cooperação. Nós fazemos parte de uma sociedade e é muito importante que a gente esteja motivado a ajudar mais pessoas.”
João Vitor Mazocco, da CoopSaber, de Venda Nova do Imigrante, também destaca o que aprendeu com a experiência.
“A cooperativa mirim me ajudou a entender que devemos cooperar todos os dias e entender que a cooperação é algo importante para todos. E, ao cooperar, podemos ajudar e alcançar algo maior.”
Materiais recicláveis viram instrumentos musicais
E se a ideia era aprender fazendo, a programação também teve espaço para colocar a criatividade em prática.
Em uma oficina conduzida pela educadora Thais Bicalho, materiais recicláveis foram transformados em instrumentos musicais.
No fim, os próprios estudantes ajudaram a criar uma música.
Daniel Guerra, da Coop Educacional de Linhares, participou da oficina e conta que a experiência foi uma novidade.
“Eu mesmo não sabia que eu poderia ajudar a compor uma música. […] É incrível essa parte da música, de você aprender, socializar.”
A atividade juntou criatividade, música e trabalho em equipe e terminou com uma produção feita pelos próprios estudantes.
O encontro terminou com estudantes de diferentes cidades compartilhando experiências, aprendizados e uma música criada por eles.
Na prática, eles mostraram que aprender a cooperar também pode começar cedo.
