Aldeias de Aracruz recebem residência artística Mbónonhaga
De 25 a 29 de setembro, nove aldeias Tupinikim e Guarani de Aracruz receberão o projeto Mbónonhaga, uma residência artística inédita que vai reunir artistas indígenas e curadoras convidadas em cinco dias de vivências, trocas e reflexão sobre a presença da arte indígena no circuito cultural.
A vivência, surgida a partir do Núcleo de Projetos Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG), que apoia as articulações entre o território indígena e as instituições, é realizada com recursos do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura), da Secretaria da Cultura (Secult) e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) do Ministério da Cultura (Minc), Governo Federal.
O nome do projeto vem da língua Tupinikim: Mbónonhaga significa “arte, artesanato, fazer com a mão”, expressão que sintetiza a proposta de fortalecer a produção artística dos povos originários no Espírito Santo, historicamente invisibilizada nos espaços institucionais.
Uma das participantes do projeto, Renata Apolinario, artista plástica, produtora cultural e gestora que atua no Núcleo de Projetos da AITG, aponta que a residência é uma estratégia de envolvimento e valorização dos trabalhos de arte das aldeias indígenas, fazendo uma ponte com pessoas, espaços e instituições reconhecidas no mundo das artes. “Vamos conectar os artistas para que as próximas curadorias e exposições tenham uma relação profunda, direta e respeitosa com os povos indígenas”, diz.
Artista e liderança da aldeia Pau Brasil, Bárbara Tupinikim é residente e anfitriã no projeto. “Tanto para mim como para muitas artesãs e artistas que vamos visitar vai ser algo muito novo e diferente. Muitos nem se veem nesse lugar de artistas. Mas esperamos que possam não só produzir como também fazer curadorias e exposições e levarem sua arte para além das vendas, mas como uma forma de expressão, como forma de usar essas linguagens para ecoar a luta, resistência, desafios e conquistas das mulheres indígenas”, pontua.
Uma das convidadas a participar e contribuir na residência é Naine Terena, curadora, educadora e pesquisadora indígena, que é uma referência nacional em curadoria de arte indígena contemporânea, tendo apresentado artistas originários em espaços como a Pinacoteca de São Paulo. “Eu estou muito feliz de ter essa oportunidade de estar junto dos parentes do Espírito Santo. É a primeira vez que irei nesse território e acredito que é muito importante ter essa experiência de poder conhecer e ouvir tantas ideias e demandas para construirmos juntos as oportunidades”, aponta a curadora da etnia Terena.
A elas se somam na residência Mariana Leme, curadora e pesquisadora em arte contemporânea, com foco em processos colaborativos, formação de públicos e curadoria educativa; Cláudia Afonso, mestre em Museologia e Museografia, com especialização em Práticas Curatoriais e diretora do Museu Vale, responsável pela direção artística, executiva e de relações institucionais; e Ananda Carvalho, curadora e professora do Curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e integrante da equipe da Galeria Espaço Universitário, onde desenvolve programação expositiva, pesquisa de acervo e ações formativas.
Durante os dias, a programação inclui feiras de arte, visitas a ateliês, bate-papos e rodas de conversa, além de trilhas e vivências no território, ressaltando a conexão entre arte, natureza e espiritualidade.
Também estão previstas pesquisas em acervos, produção de um catálogo digital, também será construído, um projeto coletivo da curadoria, já com conceito e escolha de espaço para uma grande exposição coletiva de arte indígena do estado do Espírito Santo.
Conheça as participantes da residência
Bárbara Tupinikim — Artista indígena e referência no uso de matérias-primas locais conduz vivências sobre cultivo sustentável e manejo tradicional, integrando saber ambiental e criação artística. Sua prática une território, maritório, memória e inovação.
Naine Terena — Curadora, educadora e pesquisadora indígena (povo Terena), referência nacional em curadoria de arte indígena contemporânea. Propõe abordagens decoloniais e processos horizontais, com experiências em instituições de grande porte. No projeto, realiza mentorias, leituras de portfólio e estratégias de circulação.
Renata Apolinário — Artista Plástica, formada pela Universidade Federal do Espirito Santo, Produtora cultural e gestora de projetos, atua no fortalecimento da arte e da gestão cultural nas aldeias Tupinikim e Guarani em Aracruz (ES). Conecta artistas, escolas e instituições, articulando feiras, residências, formações e ações de acessibilidade. Defende metodologias de curadoria com protagonismo indígena e foco em circulação e autonomia econômica.
Mariana Leme — Curadora e pesquisadora em arte contemporânea, com foco em processos colaborativos, formação de públicos e curadoria educativa. Atua na concepção de exposições, leituras de portfólio e escrita crítica, priorizando a visibilidade de narrativas indígenas e abordagens decoloniais. Experiente na articulação entre artistas, instituições e território, desenvolve projetos que integram pesquisa, mediação e desenho expográfico.
Cláudia Afonso — Diretora do Museu Vale (Instituto Cultural Vale) desde julho de 2023, responsável pela direção artística, executiva e de relações institucionais. Concebe exposições, publicações e programas, acompanha Plano Museológico/Estratégico e Planos Anuais, editais e leis de incentivo, indicadores e prestações de contas. Mestre em Museologia e Museografia (FBAUL), com especialização em Práticas Curatoriais (FASM).
Ananda Carvalho — Curadora e professora do Curso de Artes Visuais da UFES. Integra a equipe da Galeria Espaço Universitário (GEU/UFES), onde desenvolve programação expositiva, pesquisa de acervo e ações formativas. Sua prática articula processos de ateliê, leituras de portfólio, mediação e escrita crítica, com foco na formação de públicos e no fortalecimento de narrativas plurais.
