Feminicídio no ES tem redução da violência contra a mulher
Em 2025, o Espírito Santo alcançou um marco histórico na redução da violência contra a mulher, com uma queda nos principais indicadores de homicídios de mulheres. Dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) mostram que, ao longo do ano, foram contabilizados 75 homicídios de mulheres — o menor número desde 1996. A mesma base de dados aponta uma redução de 15,4% nos registros de feminicídio, passando de 39 casos em 2024 para 33 ocorrências em 2025, o menor índice desde 2017.
Os resultados refletem uma série de ações integradas de segurança pública, políticas de prevenção e o fortalecimento da rede de proteção às vítimas. Entre as iniciativas em destaque está o Programa Mulher Segura, que utiliza tecnologia para monitorar autores de agressões com tornozeleiras eletrônicas associadas a medidas protetivas determinadas pela Justiça, acompanhadas por policiamento especializado.
Apesar dessa evolução estatística e de períodos sem feminicídios em algumas cidades — como Vitória, que completou mais de um ano sem registros desse crime —, a violência letal contra mulheres continua acontecendo de maneira brutal e marcante em outras regiões do estado.
No fim de 16 de novembro de 2025, o corpo de uma mulher foi encontrado em uma estrada no bairro IBC, em Cachoeiro de Itapemirim, com sinais visíveis de violência compatíveis com atropelamento. A vítima — identificada como Cristina Fernandes — apresentava diversas lesões e estava próxima a um veículo amassado, e policiais investigam o caso como possível feminicídio.
Também em novembro, em Guarapari, a Polícia Civil esclareceu o feminicídio de Jamila Santos Alves, morto às mãos de um homem de 35 anos com quem mantinha relacionamento. Segundo a investigação, o suspeito confessou ter golpeado a vítima com uma garrafa no pescoço e na cabeça, motivado por não aceitar o fim da relação. Ele foi preso em flagrante e autuado pelo crime.
Em 4 de novembro de 2025, Jessica Nattallia Barbosa (31 anos) foi assassinada na zona rural de Anchieta. O namorado, João Lucas Neves Benevides (26 anos), confessou o crime, alegando ter matado a vítima por ciúme, e foi preso em flagrante por feminicídio qualificado.
Esses episódios mostram que, mesmo em um cenário de queda nos números, os feminicídios que ainda ocorrem são intensos, brutais e deixam marcas profundas nas famílias e na sociedade.
Especialistas e representantes do governo defendem que a redução só se consolidará de forma duradoura com a ampliação das políticas de prevenção, proteção e educação. A tecnologia, o monitoramento constante de agressores e o trabalho integrado entre órgãos de segurança e Justiça são apontados como ferramentas importantes, mas não suficientes sem mudanças culturais mais profundas.
Enquanto isso, cada número na estatística continua representando uma vida interrompida e um alerta de que a violência de gênero ainda é uma realidade preocupante no Espírito Santo e no Brasil.
